Monday, June 08, 2009

Fazer de Mãe de mim propria




Numa sociedade preocupada com a melhor maneira de educar uma criança
Descobri a necessidade de misturar o que é melhor para os meus filhos, com o que é necessario para uma Mãe bem equilibrada.
Reconheço que o dar interminavel se traduz em esgotar-se a dar.
E quando se esgota adra não é uma Mãe saudavel e não é um Eu saudavel.

Por isso, estou a aprender a ser mulher em primeiro lugar e Mãe em segundo.Estou a aprender a sentir apenas as minhas proprias emoções.
Sem roubar aos meus filhos a sua dignidade individual por sentir também as suas emoções.
Estou a aprender que uma criança saudavel tem o seu proprio conjunto de emoções e caracteristicas que são so suas.
E muito diferentes das minhas.
Estou a aprender a importância de trocas honestas de sentimentos porque o fingimento não engana as crianças.
Conhecem a Mãe melhor do que ela se conhece a si propria.

Estou a aprender que ninguém ultrapassa o seu passado a menos que se confronte com ele.
Caso contrario, os filhos absorverão exactamente o que ela esta a tentar ultrapassar.
Estou a aprender que as palavras de sabedoria caem em ouvidos surdos se as minhas acções contradisserem os meus actos.
As crianças tendem a ser melhores imitadoras que ouvintes.
Estou a aprender que a vida se destina a ser preenchida com tanta tristeza e dor como alegria e prazer.
E permitir-mo-nos sentir tudo o que a vida tem para oferecer é um indicador de realização.
Estou a aprender que a realização não pode ser atingida por me esgotar a dar-me, mas dando-me a mim propria e partilhando com os outros.
Estou a aprender que a melhor maneira de ensinar os meus filhos a viver uma vida preenchida não é sacrificando a minha vida.
É vivendo eu propria uma vida preenchida.
Estou a tentar ensinar os meus filhos que tenho muito para aprender
Porque estou a aprender que liberta-los
É a melhor forma de continuar-mos ligados.

Nancy Mcbrine Sheehan

A mulher ilustra literalmente o padrão continuo de vida de como a energia se torna matéria através da gravidez, parto e nascimento. Caroline Myss

Por toda a eternidade Deus jaz numa cama de parto, dando à Luz. A essência de Deus é dar à Luz. Meister Eckhart

A maternidade não é apenas o processo orgânico de dar à Luz...é compreender as necessidades do Mundo. Alexis DeVeaux

Sunday, November 30, 2008

MULHERES



Vejo mulheres parirem
A seus filhos e a si mesmas
Cantando canções em linguagens que o mundo já não conhece
porque se cantam em silêncio
Entre os espaços do invisível

Vejo a alma destas mulheres
De todas estas mulheres
Transpirando da sua pele em suor perfumado como a chuva transpira das nuvens plenas
Vejo os seus corações
Suas lágrimas escondidas por entre véus de maquilhagem
Seus corações calados implorando voz
Seus medos secretos espreitando por trás do corpo como sombras esquecidas porém omnipresentes

Vejo estas mulheres sem idade
Tentando não ter a idade que têm
Esta idade que a torna sabias
Tão únicas e belas como os caminhos que atravessam a terra
Cheios de historia, experiência, riqueza
únicas e não valorizadas
Porque o amor que buscam no ouro, nos outros
É o amor que não dão a si mesmas

Vejo estas mulheres
Todas estas mulheres
Na mulher que sou

Vejo os seus templos sagrados onde diamantes brilham cobertos
Por véus que pesam toneladas
Densas trevas de ilusão
Com que tantas vezes se auto-flagelam,
Que não lhes permitem reconhecer que são feitas de luz
Como o mais belo dos astros
Que todas são uma centelha divina
Que são elas as Mães, as Amantes desta terra
Que são elas os ventres fecundos, os corações férteis que geram a vida
Que amam, cuidam, curam, constroem
Que suas mãos tem tanto carinho como os oceanos tem água,
Estas mulheres sem as as quais
Nada seria possível
E que tantas vezes se negam o direito de existir
Sobrevivendo como maquinas por entre ocupações e papeis que não honram o seu talento,
Envolvendo-se e permanecendo em relações onde são desamadas,
onde não são tratadas como merecem e desejariam,
porque, no seu intimo, acreditam não merecer mais ou melhor
não se dando conta do quão mais merecem de facto!
acreditando na critica destrutiva dos outros para si e de si para si mesmas,
sabotando a sua força, a força do seu sonho, da sua vontade profunda,
do seu desejo intimo, do seu ímpeto selvagem e intrínseco, autentico
calando a voz interior por medo de não ter um lugar no mundo, de não ser o que esperam de si, de não ser amada ou compreendida,
quando ousar viver a sua verdade lhe permitira ser querida por tudo aquilo que verdadeiramente é e representa no seu melhor
Mulheres que não se dão conta que a solidão pode ser venerada e preciosa em vez de assustadora
e que estar na companhia de quem nos faz mal é uma morte lenta e um desrespeito por nos mesma e pela vida
e outras mulheres que tem o profundo medo de deixar alguém novo entrar no seu coração e que se fecham
privando a vida do seu brilho profundo
Todas elas sabotando
O seu infinito manancial humano de criatividade e Amor

Queridas Mulheres,
Cada uma feita de mil mulheres diferentes, facetas de um imenso diamante
brilhando, vivendo, respirando
Brotando como flores selvagens
Nos desertos e vales férteis da alma
Mulheres que não ousam ser delicadas, ou não assumem a sua sensibilidade
Por receio de que seja uma fraqueza
Quando esta sensibilidade é a sua maior força
Eu vejo os nossos corpos que dançam e cada momento
Cada gesto me é de gratidão por terem cruzado o meu caminho
Por serem balsamo preciosos de cura e descoberta da mulher que eu sou

E vejo também aquelas que ousam a cada dia
trilhar caminhos incertos e tortuosos
porque sabem que há vida, que há sempre vida
e que mesmo a morte faz parte do nascer
E esta é a verdadeira dança, a de cada instante!

Mulheres que pegaram na argila das suas vidas e destruíram para reconstruir
inspirando com o exemplo da sua busca,
transformando lutas, dificuldades e feridas na celebração de viver cada dia
Mulheres que ousaram recusar
Dizer NÃO!
Mulheres que ousaram aceitar, receber
Dizer SIM!
Mulheres que gritam de dor quando choram,
e que fazem ecoar o seu riso quando estão felizes
aquelas que assumem a cólera como uma força transformadora e dão o bom grito no momento certo
e aquelas que sabem esperar pacientemente pelo momento de recolher os frutos sem que a sua calma se altere
Mulheres que têm a força, a resistência a tenacidade da àguia e da montanha,
mas que também precisam de saber descansar
Todas, das mais assustadas às mais destemidas
trilham as mesmas estradas, em momentos diferentes

Todas estas mulheres, são cada uma de nos

e todas estas Mulheres me fazem também perceber
que além de mulher sou também homem
Sou humana
Sou preciosa
Não sou mais, não sou menos
Sou única com humildade, com tanto amor
mas consciente, por fim(porque demorou tanto tanto)
Do meu valor, do que posso dar, e da minha vulnerabilidade
comprometendo-me a viver no eu melhor, a não ser indulgente com comportamentos clara ou subtilmente auto-destrutivos
a cuidar de mim para assim cuidar melhor de todos os que me envolvem
Mulheres obrigada por serem
Por existirem
Por brilharem
Mesmo que secretamente
por abrirem os braços para receber as vossas diferenças
deixando cair rivalidades e receios,
recebendo a partilha de dançar juntas

Que os espelhos onde nos olhamos possam mostrar-nos não o rosto
Mas o coração
Que os espelhos onde nos reflectimos não nos escravizem em ideias de corpos que não são os nossos
Valorizando qualidades que não nos são essenciais nem orgânicas
Que não honram a nossa natureza, nem a natureza como um todo

A dança Oriental, é a dança do sol nascente
Este Sol que nascemos e que tantas vezes não ousamos descobrir que somos
Que possamos brilhar, irradiar a luz sagrada que faz brotar as flores, crescer as arvores, cantar os pássaros

Que todas sejamos os sois luminosos que nascemos para ser
Com muito Amor por nos mesmas e assim por todos os que nos rodeiam
De coração aberto, transbordante de Amor, carinho e gratidão
Sempre vossa, Iris

Sunday, September 14, 2008

CÍRCULO DE CURA DO ABORTO


Instalação/Pintura com 2 peças Autor: Rita Matos Rocha [Mattos R.]
http://ritamattosr.blogspot.com/search?q

CÍRCULO DE CURA DO ABORTO
partilha ~ dança ~ arte-terapia ~ posturas de êxtase ~ cura pelo som
Lua Nova, dia 29 de Setembro, pelas 22h na Casa Semente


MULHER!...
A Casa Semente acolhe o Círculo de Cura do Aborto. Estão convidadas todas as mulheres que passaram por uma experiência de aborto espontâneo ou de aborto provocado e a tod*s aquel*s que, mesmo que indirectamente, fizeram parte da experiência (companheiro, amigos, familiares, pessoal dos cuidados de saúde) ou que, na sua infância, passaram pela experiência (aqueles cuja mãe ou outra familiar teve a experiência de um aborto ou aqueles cuja mãe desejou sem sucesso provocar um aborto).

COMO SURGIU O CÍRCULO
Temos realizado alguns círculos de mulheres, sempre relacionados com as fases da lua ou outros impulsos naturais. Nunca fizemos uma partilha com tema e uma partilha que fosse aberta também ao sexo masculino e a pessoas que estivessem indirectamente envolvidas com o tema. A ideia do Círculo surgiu depois da experiência de aborto de uma de nós (e ao qual muitas reagiram como sendo a DÔR E O RENASCIMENTO DE TODAS NÓS) e para completar a iniciativa de formular um questionário, que é mais uma guia para todas aquelas que têem vontade de integrar a sua experiência, revivendo-a, recriando-a e curando-a.
Em anexo segue um documento que contém o questionário que formulei com objectivo de me ajudar a completar uma tese de final do curso Osho Divine Healing Arts. Shiatsu e Reflexologia, para a qual a única orientação que tinha era falar de mim e dos meus processos de cura. Em vez de fazer um resumo das sessões de massagem aos meus pacientes nos últimos dois anos, decidi escrever sobre algo mais presente e que me revolve as entranhas, mas não quiz fazê-lo sozinha e por isso te lanço este desafio de te juntares a nós!

Àquelas que querem colaborar, peço o envio da sua partilha via e-mail (prem.chetna@yahoo.com.br) ou via Ctt (Rua José Estêvão Vasconcelos, nº 6, 1º dto, Jardins da Radial, Ramada, Odivelas), sendo a última questão deixada para preencher depois do nosso Círculo de Cura do Aborto. A TUA PARTILHA E A TUA PRESENÇA SÃO MUITO IMPORTANTES! A TUA EXISTÊNCIA É MUITO IMPORTANTE!
Chetna: 96 642 61 44

Entrada: Gratuita
A Casa Semente
inicia neste ano lectivo uma fase de maior expansão e abertura a novas iniciativas. Para além das aulas de Hatha Yoga, Dança Oriental, Dança de expressão Oriental e Contemporânea, A Voz do Corpo, das sessões de massagem e, brevemente, de um Atelier de Movimento Criativo para Crianças, este espaço sagrado vai agora acolher uma biblioteca dedicada a temas do corpo-mente e alma femininos e vários novos cursos: Arte-terapia; Ondas de Respiração; massagem para bebés; massagem para grávidas; Pomporismo; Preparação para o Parto; Pilates para Grávidas; formação de Doula

Mulher:
Este questionário é anónimo.
Este questionário existe para integrar uma tese sobre o aborto a apresentar e na finalização do Curso de Shiatsu e Reflexologia Osho Divine Healing Arts, em Itália - http://www.scuolaodha.com/
Este questionário existe para me ajudar a integrar a minha experiência de aborto, cujo relato será a base da tese a apresentar no próximo Outubro, e que posso depois facultar-te se quiseres.
Este questionário existe para te ajudar a melhor integrar a tua experiência, trazê-la ao lume de novo, com o objectivo de Curar. Para tal, vamos juntar-nos num Círculo de Cura do Aborto, onde partilharemos, dançaremos e curaremos as nossas experiências. Para este círculo estão também convidados todos aqueles que, mesmo que indirectamente, fizeram parte do teu aborto (companheiro, familiares, amigos, pessoal dos cuidados de saúde, etc.) e todos aqueles que, na sua infância, passaram pela experiência (aqueles cuja mãe ou outra familiar teve a experiência de um aborto ou aqueles cuja mãe desejou sem sucesso provocar um aborto).

Questionário
olhar ao espelho
*para preencher a sós, em silêncio e preferencialmente logo após o acordar ou uma meditação*
*enviar por favor a tua partilha se possível com a indicação de cada número correspondente*
1. O Aborto... como foi para ti? Escreve aquilo que te vier sem parar para pensar *

2. Ser mãe (como te imaginas como mãe)...

3. A tua menstruação (o antes,o durante e o depois); vamos chamar-lhe Ciclo! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

4. Quando fazes amor! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

5. Todas as outras tuas vivências como Mulher! Quando caminhas pelo bosque, pelo mar ou pela cidade, quando conversas com uma amiga, quando fazes exercício, quando danças, quando meditas, quando cozinhas, quando fazes o teu trabalho, quando estás alegre, quando estás triste, quando estás zangada, quando estás com medo, quando estás preocupada! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

6. A tua gravidez . Como foi esse tempo de gravidez?
7. Aborto espontâneo e aborto provocado

I. Aborto espontâneo. Como soubeste que estavas a abortar? Que sentiste?
II. Aborto provocado. Quais as razões da escolha? Que sentiste? Voltarias a fazê-lo?

8. Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanharam durante todo o processo?

9. Foste bem acompanhada pelos agentes de saúde?

10. Os dias a seguir... repercussões no corpo-mente, no coração e na alma...

11. Partilhaste a tua experiência com a família ou pessoas amigas de confiança?

12. Quais foram as reacções dos familiares e amigos mais próximos à experiência do aborto e que impacto se deu nas relações?

13. Choraste? Ou gostavas de tê-lo feito?

14. Sentiste-te culpada ou culpaste alguém ou alguma coisa? Se sim, ainda tens esse sentimento?

15. O que ajudou no processo de recuperação? Faz uma lista.

16. O que gostavas que tivesse ajudado no processo de recuperação? Faz uma lista.

17. Depois do aborto fizeste planos de engravidar? Se sim, o que sentias perante a perspectiva? Se engravidaste de novo, como foi?

18. Tens algum filho? Como foi o parto?

19. Se sentes que a tua experiência conteve ou está a conter a sensação de Renascimento, conta como foi deixar partir o velho e abrir espaço para o novo e que terapias ou vivências criativas permitiram esse consolidar.

20. Alguma partilha que não caiba nas questões anteriores?...

21. Como te sentes depois do Círculo de Cura do Aborto - podes guardar esta página e levar no dia do Encontro para preencher no final

www.premchetna.blogspot.com

Thursday, September 11, 2008

BIBLIOTECA DA MULHER NA SEMENTE


John Waterhouse

Olá a Todas!
Eu e a Chetna estávamos no outro dia a tagarelar e a uivar alegremente, quando decidimos fazer, na Semente, a Biblioteca da Mulher.
Vamos aproveitar a salinha pequena, rodeá-la de estantes, e de obras de todo o género e temas que se relacionem com o maravilhoso mundo da mulher.
Assim, pedimos a todas e todos os que queiram a vossa ajuda na doação de obras que considerem importantes/interessantes para fazer parte desta biblioteca temática. Também podem recomendar títulos de obras que vos tenham marcado, e tentaremos obte-las.
Podem ser obras em todas as línguas, e damos preferência a : português, inglês, francês, espanhol e italiano.
A ideia é que a Semente possa também ser um espaço de repouso, onde podem vir para tomar um chá e ler descansadamente, e ao mesmo tempo, queremos estimular o bookcrossing, já que todas as obras poderão ser emprestadas a quem quiser debruçar-se sobre elas. Escusado será dizer que tanto a leitura na Semente como o bookcrossing são absolutamente gratuitos 
Contamos com a vossa ajuda!
Para mais informações, doações ou visitas futuras à Biblioteca da Mulher na Semente contactem-me ou à Chetna:
semente-aiga@hotmail.com
Iris: 96 514 39 73 Chetna: 96 642 61 44
Abraço Carinhoso e cheio de Luz crescente como a Lua Iris

Existência


Photo:XK

«Não és acidental.A Existência precisa de ti. Sem ti algo insubstituível faltará à existência e ninguém poderá substitui-lo. É isso que nos dá dignidade, o facto de toda a exitência sentir a nossa falta se não estivermos nela. As estrelas, o Sol e a Lua, as árvores, os pássaros e a Terra - tudo no universo sentirá que um pequeno espaço está emasiado vazio, e este espaço não pode ser preenchido por ninguém senão tu.Isto concede-te uma tremenda alegria, uma profunda realização, porque estás ligada à existência, e porque a existência cuida de ti. Assim tornaste pura e clara e podes reconhecer o Amor tremendo que cai sobre ti de todas as dimensões.» Osho

Sunday, August 31, 2008

Novo Circo, "Tabú": A história de Amaranta, a mulher predador

A história. Chovia há quatro anos, onze meses e dois dias. O mundo tornava-se num movimento de lenta rotação e lento funcionamento. Não totalmente parado, mas tudo se movia na suficiente energia para estar vivo. Pouca poluição, poucas calorias, pouco, baixo, lentamente lento. A lentidão preserva o mundo sob aquela Tenda. Uma imperdoável calma sob a tempestade.
O mundo encontra-se talvez adormecido. Os corpos, perfeitas relíquias de um tempo passado, estão suspensos como carne desconjuntada: humanidade estagnada num tipo de espaço-armazenado, manejado, onde homens e mulheres vivem sedados, flutuando sobre um pântano. Sem altos ou baixos, sem rebeliões ou revoluções. Sem a pertinente distinção dos sexos, porque ser homem ou mulher já não era mais relevante. Sem amor, o mundo deixou de procriar. Um mundo de lenta criação onde as unhas cresciam como sinal da passagem do tempo, e homens enegreciam como lobos esfaimados. Não existe a escuridão. Não existe um lado escuro. Só um brilho quase apagado que induz um estado de permanente inércia. O medo tornou a humanidade cada vez mais fechada, até os indivíduos se tornarem, também eles, totalmente brancos, belos, assiadas flores-de-estufa flutuando no ar, não mais envoltas em lodo. Cedo, tudo e todos seriam abalados por esta brisa, deslizando, em tornado, como num mundo mecanizado onde pessoas se movem em círculos, pelo impulso de um ricochete.
Mas uma jovem mulher traçou o ar como um sopro de vento, em busca das sombras do seu corpo. Fora em pântanos que tinha deixado e perdido a sua família. O seu nome, Amaranta, a sua mãe tinha passado, feito da sua vida, enclausurada, como se tivesse chovido sempre; por isso a jovem mulher, filha da chuva libertava-se da clausura, passou e fez da sua vida uma passagem para um outro lado,longe da chuva, longe da nascença, à prucura de um lugar para dormir entre as nuvens, secas. Com a sua chegada, o mundo quebrou-se, abrindo-se num gentil tremor de terra (vinha para abrir realmente e soprar dentro das células de cada ser), primeiro em espasmos, na adversidade de uma intempérie.
Amaranta ensinava as pessoas na arte de "ser", desenterrando as suas vidas e os seus passados. Um por um, entre familiares e caras conhecidas, reconhecidas do remoto pântano, regressavam com as suas cores, as suas danças e ânimos, os seus risos e medos. Como arquétipos, habitavam um mundo cujo passado, o presente e o futuro co-existiam. A inocência e o amedrontamento de Amaranta tocavam a margem assustada do "ser" humano, levantando a tormenta, fomentando obcessões. Na descrição da sua passagem, há um voo e um estaticismo abrupto, onde fixamos o seu vulto, ou provamos o lugar do medo no abismo, no risco da queda em movimento. Amaranta tornou-se uma mulher e um predador.
Finalmente, os mesmos mecanismos que deram origem à ordem serena, onde o medo reside silenciado como o maior segredo, tornaram-se os instrumentos da revolução. A revolução dos sentidos, onde o paladar, o tacto, o cheiro, a visão e a audição tornaram-se supremos, para celebrar o lado obscuro da vida, o seu desafio e irresistível conquista.

Sunday, July 13, 2008













































Testemunhos: Pássaros de Luz

Olá a Todas, Pássaros de Luz!
O meu coração continua em êxtase pela maravilhosa celebração que vivemos.
Agradeço-vos profundamente. Partilho convosco um texto de origem celta, que considero maravilhoso:

Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a música seja a tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de Amor contenham a magia da tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a Luz da vida a cada amanhecer.
Que em cada dia seja um recomeço onde a tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto profundo que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisivel, tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalentamento te acompanhe na terra ou no espaço e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida , sejam sempre abençoados por aquele Amor que ama sem nome.

Aquele Amor que não se explica, só se sente.

Que esse Amor seja o teu acalentamento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.

Que este Amor transforme os teus dramas em Luz, a tua tristeza em celebração e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.

Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e de Luz!

Abraço-vos com Infinito Carinho e Luz Iris

Agradece em meu nome a todas as mulheres lindas que partilham o teu dia-dia, a sua infinita beleza, a sua entrega e a sua transbordante alegria, muitas vezes contida mas sempre radiante nos seus olhos e no seu sorriso. Quando a nossa alma rejubila no contacto amoroso e terno com o outro ser, as barreiras do ego caem e nós tornamo-nos iguais.Vibrando a uma só voz, encontramos a quietude do coração e a verdadeira paz do espírito.
A todas as mulheres fantásticas que, nesse dia de saudação, abriram o seu coração de par-em-par permitindo que a Beleza e a Alegria de Hathor lhes penetrasse a alma que irradiou de ouro como um Sol.
Rosário

Queridas mulheres,
para todas vós, a minha máxima gratidão! As nossas Celebrações são sempre muito especiais e não tenho grandes palavras para falar sobre elas, nem tão pouco é isso o que pretendo. Queria apenas agradecer a todas vós, por todo o Amor partilhado, isso sim é a grande magia destas Celebrações. De coração aberto, com toda a mescla de alegrias e dores, nesta grande partilha, tão íntima, tão profunda!
"Gracias a la vida que me ha dado tanto!"
Um grande, grande, grande Abraço!
sofia matinhos

Obrigada a toda a Tribo de mulheres tão diferentes e ao mesmo tempo tão semelhantes.
Mulheres maravilhosas, vibrantes, intensas!
Mulheres dançam a Vida e a Renovação, a todas vocês um profundo obrigada pela vossa partilha!
Um grande abraço,
Ana Caeiro

Mas quando sentimos algo com a intensidade que sentimos, não cabe dentro de nós, e então precisamos partilhar o que sentimos e agradecer este sonho que todas juntas tornámos real.
Vera

Quanto ao solsticio... como hei-de sequer conseguir exprimir todo o que senti naqueles momentos, o que ainda sinto, as emoções ainda se encontram á flor da pele e por vezes acordo e penso: foi um sonho, um sonho maravilhoso.
Porque realmente é um sonho fazer parte desta grande familia... de poder sentir como nós mulheres somos especiais, maravilhosas e únicas e que a nossa energia junta consegue mover os sentimentos de quem convidamos para solenamente ver o nosso solsticio.
Não tenho palavras para mais, na verdade sinto-me emocionada só de falar sobre o nosso solisticio... que venham muitos e muitos, porque a minha alma cresce a cada um.
Obrigada por existirem e por ti, Iris, que és o nosso pilar.
Cíntia M.

Não queremos ser uma Eva submissa nem uma Megera ou uma "mulher masculina" que reivindica apenas direitos iguais aos dos homens!
Nem a mulher estereotipada que enche o ecrãs da televisão e dos filmes, onde normalmente só é considerada apenas em função do seu atributo sexual...
sempre dividida entre a boa e a má e a lutar contra ela e as outras mulheres.
Cristina M.

Pássaros de Luz: Celebração do Solstício de Verão


DANÇAS DE HATHOR CELEBRANDO O SOLSTÍCIO DE VERÃO
Hathor, Deusa egípcia do Amor e da Beleza, é a Mãe-Divina, a Força Vital Universal que se manifesta, é o Princípio Espiritual expresso sob a forma feminina - o Amor. Ela é a Senhora do Amor alquímico, da transformação do ser pelo Amor profundo.
Hathor, “A Resplandecente”, é a protectora das mulheres, é a Senhora que cura pela dança, canto e música, que, através do êxtase, obtido na embriaguez dos sentidos, conduz à comunhão com o Divino dentro de nós.
«Do êxtase eu vim, no êxtase eu vivo, e em teu sagrado êxtase eu voltarei a me fundir.» Yogananda

ÍRIS E ALUNAS, CONVIDADA HELENA MADEIRA
MOSTRA DE TRABALHOS 2008
6 de Julho, Teatro Ibérico


Lua: Primeira Parte- Estrelas na Noite
Todas
- O Canto da Guerreira Helena e Íris
«…entre rios sinuosos nascem marés inauditas»
- Uma janela para o Deserto
Emília Silva, Joana Martins, Caroline Carp, Catarina Morato, Susana Luis
com projecto Atma: Jorge Machado, Gonçalo Bacalhau, Hugo Claro
«O espírito é o primeiro a nascer, e por diversas vezes se revela em ser sobre ser e demais, na esfera da espera que é a Terra»
- Despindo os véus« e em cada porta do sub mundo Isthar despiu e deixou para trás um véu de ilusão…»
Andreia Guerreiro, Cláudia Sequeira, Clara Pinto, Il Haam, Sofia Matinhos, Raphaelle Noden, Sandra Freitas, Teresa Tavares, Sandra Santos, Emília Silva, Joana Martins, Caroline Carp, Catarina Morato, Susana Luis
- O Mar Chetna e Íris
«a sereia canta, desperta o ser profundo, revela-nos a nós mesmos, e não há retorno ao que foi, apenas existe o que é…»
- Sal da Terra Mª João Ramalho, Rute Marreiros, Inês Silva, Ana Borges e Teresa Tavares
- Era a voar que nos entendíamos. Queríamos chegar ao ponto mais alto. Catarina
»Já em criança percebia isto; de outra maneira – percebemos logo as coisas que nascemos para perceber, poucas e difíceis (pelo menos no meu caso). Cabe-nos um enigma específico, um sentimento, uma obsessão e um desbravar. Temos é pouco tempo e demasiado medo:» Inês Pedrosa
-Hathor Raphaelle Noden e Sofia Matinhos
"A de grande Amor da Vaca e da Lua. Quando a borboleta bate as asas entre os cornos da Grande Mãe, o coração voa e inspira a transformação... entretanto, Hathor expira..."
- Oriente e Ocidente Il Haam e Cíntia Matias
Os leques chineses agitam as energias e geram uma brisa que envolve de Amor e Paz, quem tem o privilégio de a sentir...É a universalidade da dança unindo o oriente e o ocidente, complementando-os e reforçando o que cada um tem de melhor.
- Pássaro do Mar Íris e Raphaelle
«Hei-de voar, hei-de mergulhar até ser infinita, até sermos um, neste Amor que nos respira!»
- Aimer a perdre la raison Il Haam
- Lama Bada
"Lama Bada yatathanna" é uma composição muito antiga e famosa do período Andaluz (quando os árabes dominavam em Espanha, período mourisco, entre os sec IX e XV). Este estilo de canção, conhecido como Muwashah desenvolveu-se nessa fase. A canção é poesia “ghazel” típica, esta poesia é romântica e descreve as belezas e dons do ser amado.
Quando ela se balança docemente
Quando a ninfa que tece as finas teias aparece
A beleza da minha amada leva-me à distracção
Entrega, Entrega
Quando sou tomado por um olhar breve
A beleza da minha amada é um ramo suave agitado pela brisa
Entrega, Entrega
Oh meu destino, minha perplexidade
Ninguém consegue confortar-me na minha tristeza
No meu sofrer e no meu lamento por Amor
A não ser aquela que é parte da bela miragem
A beleza do meu amor leva-me à distracção
Entrega, Entrega
Ana Viegas, Alexandra Corte-Real, Alexandra Schutz, Leonor Tenreiro, Ana Luísa Coelho, Carla Morais, Cíntia Matias, Denise Mesquita, Helena Araújo, Teresa Freitas, Vera Silva, Vitória Gonçalves, Il Haam, Rosário Baeta, Teresa Tavares, Susana Luís, Mª João Ramalho, Rute Marreiros, Inês Silva, Ana Borges, Helena Silva, Ana Maria Sarmento, Catarina Morato, Chetna, Clara Pinto, Maria Moreira, Maria Ramos, Inês Parente, Sandra Leitão, Sandra Santos, Sofia Casimiro, Sofia Matinhos, Susana lanceiro, Susana Marques, Ana Margarida Almeida, Elsa Mariano, Marta leitão, Susana Vaz, Olga Pereira, Raphaelle Noden
- Ama Íris
Em Tibetano e em muitas línguas da Ásia, Ama significa Mãe. Ama é a que cuida, protege, guia, a que olha por nós. A que nos lembra ora de forma doce, ora austera, que temos poder, que somos imensos, que existimos! Esta é uma oração dançada
à Mãe cósmica, e a todo o sagrado que somos.
- Perpétuo Movimento«Mais doce, mais suave, mais profundo» Giro de inspiração Sufi
Ana Caeiro, Alexandra Corte-Real, Caroline Carp,Carla Morais, Joana Martins, Margarida Baeta, Rosário Baeta, Susana Luís, Cristina Coelho, Cláudia Sequeira, Iris

Sol Segunda parte:
- A Amante Iris
- Rosa de Luz suspensa Helena Madeira
- Vermelho Profundo Cristina Coelho e Cláudia Sequeira
- Suspensa numa teia de Luz Sofia Matinhos
Quando o caminho se faz tão devagar, tão devagar... para que nada, por dentro ou por fora, se parta; para que os finos fios sobre os quais caminhamos nos permitam, enfim, a passagem.
- Asas do Fogo e da Terra Chetna
- O Fogo Alexandra Corte Real e Margarida Baeta
- Elden Ele : Flores de Mão em mão
Dança Clássica Oriental, Turquia
Íris, Ana Filipa Quinas, Andreia Guerreiro, Cláudia Sequeira, Cristina Coelho, Emília Silva, Caroline Carp, Il Haam, Clara Pinto, Miná Resende, Sandra Freitas, Sandra Santos, Sofia Matinhos, Susana Luis
- A Intimidade da Dança Teresa Tavares
- Correntes do Nilo Andreia e Clara
- Ventre (e)terno Teresa Tavares e Sandra Freitas
- My red scarf Inês Parente
Estilo Bollywood
- Lalalala Lililili Raphaelle Noden
Quando o Sol faz Amor com a Lua, o vento dança a vida sobre a nossa alma, que respira felicidade.
- Baubo
Baubo é a divindade do riso, da sexualidade feminina assumida, livre, alegre e da amizade. A sua sabedoria reside na liberdade de expressão, na desmistificação de acontecimentos pelo humor, e pelo poder curativo do riso, bem como na sexualidade natural, absolutamente livre de complexos e limitações e bem humorada (sorridente;)). Baubo ri sonoramente, e é um arquétipo que incentiva ao prazer para que a alma possa expandir-se.
Ciftitelli: dança oriental grega
Andreia Guerreiro, Cláudia Sequeira, Cristina Coelho, Emília Silva, Caroline Carp, Il Haam, Sandra Santos, Sofia Matinhos, Susana Luís, Raquel Silva, Rita Serra, Maria Moreira
- Amor de Sol ardente Sandra Santos
- Salamat
Salamat significa paz, bênçãos, o desejo de boa saúde
A simbólica do bastão - vitalidade do homem, fertilidade, regeneração e ressurreição - está ligada com a do Fogo : “o Fogo (espírito) brotou do bastão”. Tal como a lança, o bastão foi comparado a um falo.
Ele é o cajado que ajuda os pastores a orientar e conduzir o rebanho, ele é a estaca que penetra a terra abrindo a fenda onde será colocada a semente, ele é o ceptro dos reis e faraós, representado a varinha mágica da sabedoria, ele é o apoio dos peregrinos e dos anciãos, ele é a arma de luta dos guerreiros.
Esta dança é Al Assaya, uma forma feminina de saidi (folclore do Sul do Egipto), que caricaturiza a dança marcial Tahtib, que consiste numa luta com bastões. Esta é a sua forma leve e jovial.
Ana Caeiro, Alexandra Corte-Real, Caroline Carp,Carla Morais, Cíntia Matias, Joana Martins, Margarida Baeta, Susana Luís
- A Anciã e a libertação Íris
«Mas é nesta solidão que as actividades mais profundas têm início.
»È aqui que se descobre a acção sem movimento, o trabalho que é um repouso profundo, a visão na escuridão, e, além de todo o desejo, uma realização em êxtase cujos limites se estendem ao infinito» Transe berbere
- Celebração
Todas

Íris agradece:
Ás maravilhosas Irmãs que cuidam de mim a cada dia (Rosário, Margarida, Helena, Chetna, Raphaelle, Catarina, Sofia, Il Haam, e tantas outras!), a esta tribo tão resplandecente de Mulheres Infinitas, Pássaros de Luz de asas coloridas, que me ensinam todos os dias a dançar a vida, cada dia com maior Amor, Sabedoria e entrega, minhas alunas tão belas em todos os sentidos!!! À minha Família, e aos ancestrais que lhe deram origem, à minha Avó que partiu e nos ensinou a cantar o fim como um início. Ao Baltazar por estar sempre presente, ao Xav por ser um pássaro e a todos aqueles que fazem parte da minha alma.
Ao Templo que é o Teatro Ibérico e ao incansável Fernando.
À Mãe, que nos nutre, cura e inspira, que nos ensina a ser sagradas , selvagens e nuas, vivendo em verdade. A todas as tantas Mulheres que cada uma de nós é, e aos encontros maravilhosos de todas nós dentro de nós e umas com as outras

Thursday, January 24, 2008

Ter razão ou ser feliz?

Em tempo de radicalização e de guerra de opiniões, quando cada um quer provar que tem razão, mesmo à custa da verdade, com a clareza que caracterizam nosso grande poeta, Ferreira Gullar foi ao fundo da questão: “ o importante não é ter razão, é ser feliz”. E abriu o coração inteligente: quando discute com a namorada e acabam brigando, ele sempre tem razão, mas ela vai embora furiosa e passa três dias sem ligar. Ele fica sozinho em casa, cheio de razão, mas numa tristeza infinita, infelicíssimo.

Há muito tempo me esforço para desistir da idéia de convencer alguém de qualquer coisa. Com minha intuição, experiência e convicções, ofereço minhas opiniões com sinceridade, apresento meus argumentos, me empenho em ser claro e objetivo. Se forem aceitas, ótimo, se não, ótimo também.

Gosto de aprender, não tenho problemas para admitir meus erros e equívocos, não me sinto inferior por não ter razão. Nem culpado por me sentir feliz.

Gullar, comunista histórico, sabe que nenhum sistema político, econômico ou filosófico, gerado pela razão humana é capaz de fazer o indivíduo feliz, que é o que interessa. Cada pessoa é um mundo complexo, insondável e imprevisível, e a sensação de felicidade ou o seu avesso atingem pobres e ricos, burros e sábios, religiosos e ateus, desde que o mundo é mundo. Não bastam diversão e arte, além de comida para fazer o homem e a mulher felizes. O buraco é mais embaixo e muito mais fundo. Passeando pelos blogs, especialmente os políticos, e lendo as torrentes de ódio, ressentimento e vitupérios que as falanges digitais de militantes trocam o dia inteiro (essa gente não trabalha?), não se pode deixar de notar que quanto mais razão eles acham que têm, mais infelizes se sentem.

SABER VIVER


"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava sempre no lugar certo, na hora certa, no momento exacto. E então pude relaxar.
Hoje sei que isso tem um nome... Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que a minha angústia, o meu sofrimento emocional, não passam de um sinal de que eu estou a ir contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é... Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo a isso... Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguém ou alguma situação para conseguir aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Quando me amei de verdade, comecei a livrar-me de tudo o que não fosse saudável. Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. No início, a minha razão chamou egoísmo a esta atitude.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projectos megalómanos de futuro. Hoje faço o que acho certo, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora mantenho-me no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é… Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente me pode atormentar e decepcionar. Mas quando a coloco ao serviço do meu coração ela torna-se uma grande e valiosa aliada.
E tudo isto é… Saber viver!”
Charlie Chaplin