Monday, June 08, 2009

Fazer de Mãe de mim propria




Numa sociedade preocupada com a melhor maneira de educar uma criança
Descobri a necessidade de misturar o que é melhor para os meus filhos, com o que é necessario para uma Mãe bem equilibrada.
Reconheço que o dar interminavel se traduz em esgotar-se a dar.
E quando se esgota adra não é uma Mãe saudavel e não é um Eu saudavel.

Por isso, estou a aprender a ser mulher em primeiro lugar e Mãe em segundo.Estou a aprender a sentir apenas as minhas proprias emoções.
Sem roubar aos meus filhos a sua dignidade individual por sentir também as suas emoções.
Estou a aprender que uma criança saudavel tem o seu proprio conjunto de emoções e caracteristicas que são so suas.
E muito diferentes das minhas.
Estou a aprender a importância de trocas honestas de sentimentos porque o fingimento não engana as crianças.
Conhecem a Mãe melhor do que ela se conhece a si propria.

Estou a aprender que ninguém ultrapassa o seu passado a menos que se confronte com ele.
Caso contrario, os filhos absorverão exactamente o que ela esta a tentar ultrapassar.
Estou a aprender que as palavras de sabedoria caem em ouvidos surdos se as minhas acções contradisserem os meus actos.
As crianças tendem a ser melhores imitadoras que ouvintes.
Estou a aprender que a vida se destina a ser preenchida com tanta tristeza e dor como alegria e prazer.
E permitir-mo-nos sentir tudo o que a vida tem para oferecer é um indicador de realização.
Estou a aprender que a realização não pode ser atingida por me esgotar a dar-me, mas dando-me a mim propria e partilhando com os outros.
Estou a aprender que a melhor maneira de ensinar os meus filhos a viver uma vida preenchida não é sacrificando a minha vida.
É vivendo eu propria uma vida preenchida.
Estou a tentar ensinar os meus filhos que tenho muito para aprender
Porque estou a aprender que liberta-los
É a melhor forma de continuar-mos ligados.

Nancy Mcbrine Sheehan

A mulher ilustra literalmente o padrão continuo de vida de como a energia se torna matéria através da gravidez, parto e nascimento. Caroline Myss

Por toda a eternidade Deus jaz numa cama de parto, dando à Luz. A essência de Deus é dar à Luz. Meister Eckhart

A maternidade não é apenas o processo orgânico de dar à Luz...é compreender as necessidades do Mundo. Alexis DeVeaux

Sunday, November 30, 2008

MULHERES



Vejo mulheres parirem
A seus filhos e a si mesmas
Cantando canções em linguagens que o mundo já não conhece
porque se cantam em silêncio
Entre os espaços do invisível

Vejo a alma destas mulheres
De todas estas mulheres
Transpirando da sua pele em suor perfumado como a chuva transpira das nuvens plenas
Vejo os seus corações
Suas lágrimas escondidas por entre véus de maquilhagem
Seus corações calados implorando voz
Seus medos secretos espreitando por trás do corpo como sombras esquecidas porém omnipresentes

Vejo estas mulheres sem idade
Tentando não ter a idade que têm
Esta idade que a torna sabias
Tão únicas e belas como os caminhos que atravessam a terra
Cheios de historia, experiência, riqueza
únicas e não valorizadas
Porque o amor que buscam no ouro, nos outros
É o amor que não dão a si mesmas

Vejo estas mulheres
Todas estas mulheres
Na mulher que sou

Vejo os seus templos sagrados onde diamantes brilham cobertos
Por véus que pesam toneladas
Densas trevas de ilusão
Com que tantas vezes se auto-flagelam,
Que não lhes permitem reconhecer que são feitas de luz
Como o mais belo dos astros
Que todas são uma centelha divina
Que são elas as Mães, as Amantes desta terra
Que são elas os ventres fecundos, os corações férteis que geram a vida
Que amam, cuidam, curam, constroem
Que suas mãos tem tanto carinho como os oceanos tem água,
Estas mulheres sem as as quais
Nada seria possível
E que tantas vezes se negam o direito de existir
Sobrevivendo como maquinas por entre ocupações e papeis que não honram o seu talento,
Envolvendo-se e permanecendo em relações onde são desamadas,
onde não são tratadas como merecem e desejariam,
porque, no seu intimo, acreditam não merecer mais ou melhor
não se dando conta do quão mais merecem de facto!
acreditando na critica destrutiva dos outros para si e de si para si mesmas,
sabotando a sua força, a força do seu sonho, da sua vontade profunda,
do seu desejo intimo, do seu ímpeto selvagem e intrínseco, autentico
calando a voz interior por medo de não ter um lugar no mundo, de não ser o que esperam de si, de não ser amada ou compreendida,
quando ousar viver a sua verdade lhe permitira ser querida por tudo aquilo que verdadeiramente é e representa no seu melhor
Mulheres que não se dão conta que a solidão pode ser venerada e preciosa em vez de assustadora
e que estar na companhia de quem nos faz mal é uma morte lenta e um desrespeito por nos mesma e pela vida
e outras mulheres que tem o profundo medo de deixar alguém novo entrar no seu coração e que se fecham
privando a vida do seu brilho profundo
Todas elas sabotando
O seu infinito manancial humano de criatividade e Amor

Queridas Mulheres,
Cada uma feita de mil mulheres diferentes, facetas de um imenso diamante
brilhando, vivendo, respirando
Brotando como flores selvagens
Nos desertos e vales férteis da alma
Mulheres que não ousam ser delicadas, ou não assumem a sua sensibilidade
Por receio de que seja uma fraqueza
Quando esta sensibilidade é a sua maior força
Eu vejo os nossos corpos que dançam e cada momento
Cada gesto me é de gratidão por terem cruzado o meu caminho
Por serem balsamo preciosos de cura e descoberta da mulher que eu sou

E vejo também aquelas que ousam a cada dia
trilhar caminhos incertos e tortuosos
porque sabem que há vida, que há sempre vida
e que mesmo a morte faz parte do nascer
E esta é a verdadeira dança, a de cada instante!

Mulheres que pegaram na argila das suas vidas e destruíram para reconstruir
inspirando com o exemplo da sua busca,
transformando lutas, dificuldades e feridas na celebração de viver cada dia
Mulheres que ousaram recusar
Dizer NÃO!
Mulheres que ousaram aceitar, receber
Dizer SIM!
Mulheres que gritam de dor quando choram,
e que fazem ecoar o seu riso quando estão felizes
aquelas que assumem a cólera como uma força transformadora e dão o bom grito no momento certo
e aquelas que sabem esperar pacientemente pelo momento de recolher os frutos sem que a sua calma se altere
Mulheres que têm a força, a resistência a tenacidade da àguia e da montanha,
mas que também precisam de saber descansar
Todas, das mais assustadas às mais destemidas
trilham as mesmas estradas, em momentos diferentes

Todas estas mulheres, são cada uma de nos

e todas estas Mulheres me fazem também perceber
que além de mulher sou também homem
Sou humana
Sou preciosa
Não sou mais, não sou menos
Sou única com humildade, com tanto amor
mas consciente, por fim(porque demorou tanto tanto)
Do meu valor, do que posso dar, e da minha vulnerabilidade
comprometendo-me a viver no eu melhor, a não ser indulgente com comportamentos clara ou subtilmente auto-destrutivos
a cuidar de mim para assim cuidar melhor de todos os que me envolvem
Mulheres obrigada por serem
Por existirem
Por brilharem
Mesmo que secretamente
por abrirem os braços para receber as vossas diferenças
deixando cair rivalidades e receios,
recebendo a partilha de dançar juntas

Que os espelhos onde nos olhamos possam mostrar-nos não o rosto
Mas o coração
Que os espelhos onde nos reflectimos não nos escravizem em ideias de corpos que não são os nossos
Valorizando qualidades que não nos são essenciais nem orgânicas
Que não honram a nossa natureza, nem a natureza como um todo

A dança Oriental, é a dança do sol nascente
Este Sol que nascemos e que tantas vezes não ousamos descobrir que somos
Que possamos brilhar, irradiar a luz sagrada que faz brotar as flores, crescer as arvores, cantar os pássaros

Que todas sejamos os sois luminosos que nascemos para ser
Com muito Amor por nos mesmas e assim por todos os que nos rodeiam
De coração aberto, transbordante de Amor, carinho e gratidão
Sempre vossa, Iris

Sunday, September 14, 2008

CÍRCULO DE CURA DO ABORTO


Instalação/Pintura com 2 peças Autor: Rita Matos Rocha [Mattos R.]
http://ritamattosr.blogspot.com/search?q

CÍRCULO DE CURA DO ABORTO
partilha ~ dança ~ arte-terapia ~ posturas de êxtase ~ cura pelo som
Lua Nova, dia 29 de Setembro, pelas 22h na Casa Semente


MULHER!...
A Casa Semente acolhe o Círculo de Cura do Aborto. Estão convidadas todas as mulheres que passaram por uma experiência de aborto espontâneo ou de aborto provocado e a tod*s aquel*s que, mesmo que indirectamente, fizeram parte da experiência (companheiro, amigos, familiares, pessoal dos cuidados de saúde) ou que, na sua infância, passaram pela experiência (aqueles cuja mãe ou outra familiar teve a experiência de um aborto ou aqueles cuja mãe desejou sem sucesso provocar um aborto).

COMO SURGIU O CÍRCULO
Temos realizado alguns círculos de mulheres, sempre relacionados com as fases da lua ou outros impulsos naturais. Nunca fizemos uma partilha com tema e uma partilha que fosse aberta também ao sexo masculino e a pessoas que estivessem indirectamente envolvidas com o tema. A ideia do Círculo surgiu depois da experiência de aborto de uma de nós (e ao qual muitas reagiram como sendo a DÔR E O RENASCIMENTO DE TODAS NÓS) e para completar a iniciativa de formular um questionário, que é mais uma guia para todas aquelas que têem vontade de integrar a sua experiência, revivendo-a, recriando-a e curando-a.
Em anexo segue um documento que contém o questionário que formulei com objectivo de me ajudar a completar uma tese de final do curso Osho Divine Healing Arts. Shiatsu e Reflexologia, para a qual a única orientação que tinha era falar de mim e dos meus processos de cura. Em vez de fazer um resumo das sessões de massagem aos meus pacientes nos últimos dois anos, decidi escrever sobre algo mais presente e que me revolve as entranhas, mas não quiz fazê-lo sozinha e por isso te lanço este desafio de te juntares a nós!

Àquelas que querem colaborar, peço o envio da sua partilha via e-mail (prem.chetna@yahoo.com.br) ou via Ctt (Rua José Estêvão Vasconcelos, nº 6, 1º dto, Jardins da Radial, Ramada, Odivelas), sendo a última questão deixada para preencher depois do nosso Círculo de Cura do Aborto. A TUA PARTILHA E A TUA PRESENÇA SÃO MUITO IMPORTANTES! A TUA EXISTÊNCIA É MUITO IMPORTANTE!
Chetna: 96 642 61 44

Entrada: Gratuita
A Casa Semente
inicia neste ano lectivo uma fase de maior expansão e abertura a novas iniciativas. Para além das aulas de Hatha Yoga, Dança Oriental, Dança de expressão Oriental e Contemporânea, A Voz do Corpo, das sessões de massagem e, brevemente, de um Atelier de Movimento Criativo para Crianças, este espaço sagrado vai agora acolher uma biblioteca dedicada a temas do corpo-mente e alma femininos e vários novos cursos: Arte-terapia; Ondas de Respiração; massagem para bebés; massagem para grávidas; Pomporismo; Preparação para o Parto; Pilates para Grávidas; formação de Doula

Mulher:
Este questionário é anónimo.
Este questionário existe para integrar uma tese sobre o aborto a apresentar e na finalização do Curso de Shiatsu e Reflexologia Osho Divine Healing Arts, em Itália - http://www.scuolaodha.com/
Este questionário existe para me ajudar a integrar a minha experiência de aborto, cujo relato será a base da tese a apresentar no próximo Outubro, e que posso depois facultar-te se quiseres.
Este questionário existe para te ajudar a melhor integrar a tua experiência, trazê-la ao lume de novo, com o objectivo de Curar. Para tal, vamos juntar-nos num Círculo de Cura do Aborto, onde partilharemos, dançaremos e curaremos as nossas experiências. Para este círculo estão também convidados todos aqueles que, mesmo que indirectamente, fizeram parte do teu aborto (companheiro, familiares, amigos, pessoal dos cuidados de saúde, etc.) e todos aqueles que, na sua infância, passaram pela experiência (aqueles cuja mãe ou outra familiar teve a experiência de um aborto ou aqueles cuja mãe desejou sem sucesso provocar um aborto).

Questionário
olhar ao espelho
*para preencher a sós, em silêncio e preferencialmente logo após o acordar ou uma meditação*
*enviar por favor a tua partilha se possível com a indicação de cada número correspondente*
1. O Aborto... como foi para ti? Escreve aquilo que te vier sem parar para pensar *

2. Ser mãe (como te imaginas como mãe)...

3. A tua menstruação (o antes,o durante e o depois); vamos chamar-lhe Ciclo! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

4. Quando fazes amor! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

5. Todas as outras tuas vivências como Mulher! Quando caminhas pelo bosque, pelo mar ou pela cidade, quando conversas com uma amiga, quando fazes exercício, quando danças, quando meditas, quando cozinhas, quando fazes o teu trabalho, quando estás alegre, quando estás triste, quando estás zangada, quando estás com medo, quando estás preocupada! Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanham?

6. A tua gravidez . Como foi esse tempo de gravidez?
7. Aborto espontâneo e aborto provocado

I. Aborto espontâneo. Como soubeste que estavas a abortar? Que sentiste?
II. Aborto provocado. Quais as razões da escolha? Que sentiste? Voltarias a fazê-lo?

8. Que movimentos, sons e tipos de respiração mais te acompanharam durante todo o processo?

9. Foste bem acompanhada pelos agentes de saúde?

10. Os dias a seguir... repercussões no corpo-mente, no coração e na alma...

11. Partilhaste a tua experiência com a família ou pessoas amigas de confiança?

12. Quais foram as reacções dos familiares e amigos mais próximos à experiência do aborto e que impacto se deu nas relações?

13. Choraste? Ou gostavas de tê-lo feito?

14. Sentiste-te culpada ou culpaste alguém ou alguma coisa? Se sim, ainda tens esse sentimento?

15. O que ajudou no processo de recuperação? Faz uma lista.

16. O que gostavas que tivesse ajudado no processo de recuperação? Faz uma lista.

17. Depois do aborto fizeste planos de engravidar? Se sim, o que sentias perante a perspectiva? Se engravidaste de novo, como foi?

18. Tens algum filho? Como foi o parto?

19. Se sentes que a tua experiência conteve ou está a conter a sensação de Renascimento, conta como foi deixar partir o velho e abrir espaço para o novo e que terapias ou vivências criativas permitiram esse consolidar.

20. Alguma partilha que não caiba nas questões anteriores?...

21. Como te sentes depois do Círculo de Cura do Aborto - podes guardar esta página e levar no dia do Encontro para preencher no final

www.premchetna.blogspot.com

Thursday, September 11, 2008

BIBLIOTECA DA MULHER NA SEMENTE


John Waterhouse

Olá a Todas!
Eu e a Chetna estávamos no outro dia a tagarelar e a uivar alegremente, quando decidimos fazer, na Semente, a Biblioteca da Mulher.
Vamos aproveitar a salinha pequena, rodeá-la de estantes, e de obras de todo o género e temas que se relacionem com o maravilhoso mundo da mulher.
Assim, pedimos a todas e todos os que queiram a vossa ajuda na doação de obras que considerem importantes/interessantes para fazer parte desta biblioteca temática. Também podem recomendar títulos de obras que vos tenham marcado, e tentaremos obte-las.
Podem ser obras em todas as línguas, e damos preferência a : português, inglês, francês, espanhol e italiano.
A ideia é que a Semente possa também ser um espaço de repouso, onde podem vir para tomar um chá e ler descansadamente, e ao mesmo tempo, queremos estimular o bookcrossing, já que todas as obras poderão ser emprestadas a quem quiser debruçar-se sobre elas. Escusado será dizer que tanto a leitura na Semente como o bookcrossing são absolutamente gratuitos 
Contamos com a vossa ajuda!
Para mais informações, doações ou visitas futuras à Biblioteca da Mulher na Semente contactem-me ou à Chetna:
semente-aiga@hotmail.com
Iris: 96 514 39 73 Chetna: 96 642 61 44
Abraço Carinhoso e cheio de Luz crescente como a Lua Iris

Existência


Photo:XK

«Não és acidental.A Existência precisa de ti. Sem ti algo insubstituível faltará à existência e ninguém poderá substitui-lo. É isso que nos dá dignidade, o facto de toda a exitência sentir a nossa falta se não estivermos nela. As estrelas, o Sol e a Lua, as árvores, os pássaros e a Terra - tudo no universo sentirá que um pequeno espaço está emasiado vazio, e este espaço não pode ser preenchido por ninguém senão tu.Isto concede-te uma tremenda alegria, uma profunda realização, porque estás ligada à existência, e porque a existência cuida de ti. Assim tornaste pura e clara e podes reconhecer o Amor tremendo que cai sobre ti de todas as dimensões.» Osho

Sunday, August 31, 2008

Novo Circo, "Tabú": A história de Amaranta, a mulher predador

A história. Chovia há quatro anos, onze meses e dois dias. O mundo tornava-se num movimento de lenta rotação e lento funcionamento. Não totalmente parado, mas tudo se movia na suficiente energia para estar vivo. Pouca poluição, poucas calorias, pouco, baixo, lentamente lento. A lentidão preserva o mundo sob aquela Tenda. Uma imperdoável calma sob a tempestade.
O mundo encontra-se talvez adormecido. Os corpos, perfeitas relíquias de um tempo passado, estão suspensos como carne desconjuntada: humanidade estagnada num tipo de espaço-armazenado, manejado, onde homens e mulheres vivem sedados, flutuando sobre um pântano. Sem altos ou baixos, sem rebeliões ou revoluções. Sem a pertinente distinção dos sexos, porque ser homem ou mulher já não era mais relevante. Sem amor, o mundo deixou de procriar. Um mundo de lenta criação onde as unhas cresciam como sinal da passagem do tempo, e homens enegreciam como lobos esfaimados. Não existe a escuridão. Não existe um lado escuro. Só um brilho quase apagado que induz um estado de permanente inércia. O medo tornou a humanidade cada vez mais fechada, até os indivíduos se tornarem, também eles, totalmente brancos, belos, assiadas flores-de-estufa flutuando no ar, não mais envoltas em lodo. Cedo, tudo e todos seriam abalados por esta brisa, deslizando, em tornado, como num mundo mecanizado onde pessoas se movem em círculos, pelo impulso de um ricochete.
Mas uma jovem mulher traçou o ar como um sopro de vento, em busca das sombras do seu corpo. Fora em pântanos que tinha deixado e perdido a sua família. O seu nome, Amaranta, a sua mãe tinha passado, feito da sua vida, enclausurada, como se tivesse chovido sempre; por isso a jovem mulher, filha da chuva libertava-se da clausura, passou e fez da sua vida uma passagem para um outro lado,longe da chuva, longe da nascença, à prucura de um lugar para dormir entre as nuvens, secas. Com a sua chegada, o mundo quebrou-se, abrindo-se num gentil tremor de terra (vinha para abrir realmente e soprar dentro das células de cada ser), primeiro em espasmos, na adversidade de uma intempérie.
Amaranta ensinava as pessoas na arte de "ser", desenterrando as suas vidas e os seus passados. Um por um, entre familiares e caras conhecidas, reconhecidas do remoto pântano, regressavam com as suas cores, as suas danças e ânimos, os seus risos e medos. Como arquétipos, habitavam um mundo cujo passado, o presente e o futuro co-existiam. A inocência e o amedrontamento de Amaranta tocavam a margem assustada do "ser" humano, levantando a tormenta, fomentando obcessões. Na descrição da sua passagem, há um voo e um estaticismo abrupto, onde fixamos o seu vulto, ou provamos o lugar do medo no abismo, no risco da queda em movimento. Amaranta tornou-se uma mulher e um predador.
Finalmente, os mesmos mecanismos que deram origem à ordem serena, onde o medo reside silenciado como o maior segredo, tornaram-se os instrumentos da revolução. A revolução dos sentidos, onde o paladar, o tacto, o cheiro, a visão e a audição tornaram-se supremos, para celebrar o lado obscuro da vida, o seu desafio e irresistível conquista.

Sunday, July 13, 2008